Meu rosto começou a arder, tentei
abrir meus olhos e descobri onde eu estava meus ouvidos captavam uma fogueira e
uma risada. Finalmente meus olhos entraram em foco e pude enxergar o bandido
amarrando Cristina enquanto passava a língua em sua face, por um momento me
senti preso, mas logo minhas mãos se soltaram facilmente uma onda de raiva e
força assolou meu corpo e nublou minha visão.
Senti que não havia controle do
meu corpo e só queria matar o filho da puta, mas antes eu tinha um dever para
com Cristina, meu corpo obedecia a um comando. Senti o arco saindo saquei e do
ombro direito saíram três flechas, puxei uma e tencionei o arco e atirei na
corda que prendia Cristina e ela caiu no chão. O bandido sacou o revólver e
apontou na minha direção e um clarão iluminou a floresta, de repente tudo ficou
calmo e nenhuma preocupação passou pela minha cabeça e pude reparar as estrelas
enquanto eu caia em direção ao chão, será que é assim que se sente uma estrela
cadente? O filho da mãe ainda não tinha terminado e apontou de novo a arma, eu
mantia um olho mirando nele enquanto via Cristina correndo em minha direção,
ela passou por ele num segundo e um segundo clarão iluminou a floresta, senti
um peso acertando meu braço. Estranhamente uma coisa macia encostou em minhas
mãos como se fosse uma tentativa de me manter na realidade.
MISERÁVEL! Agora nada mais me
importava Cristina foi atingida, lágrimas saíram poderosas de meus olhos, uma
dor explodiu em meu peito e todo meu corpo estremeceu, de repente senti várias pontadas
saindo pela minha pele. Depois disso só captei sons, sons de madeiras rachando
ou se quebrando, sons de milhares de coisas rasgando o ar e o principal som de
um grito assustado que virou de dor e depois silêncio. Silêncio.
As estrelas brilharam intensamente,
mas logo foi substituída por uma floresta, uma nova floresta. As árvores eram
finas e se contorciam, os troncos eram cobertos por musgo verde e havia uma
estranha névoa impedindo de eu ver mais do que 10 metros adiante. Eu
encarava um caminho que se seguia reto até a névoa torná-la branca, como eu
havia chegado aqui? Onde é aqui? E o principal eu estaria morto?
—Onde eu estou?
Uma forma negra surgiu da névoa
branca em minha frente e avançava até parecer um figura gigantesca, dois
enormes olhos vermelhos se iluminaram a floresta, um urro constante vinha da
figura como um animal preparando para atacar. Em pânico recuei alguns passos
para trás, aquela coisa me observava, sempre com sua figura protegida pela
neblina, eu só sabia que era grande, muito grande e terrivelmente mortal. E
tinha um ódio por mim.
−O que é você?!
A estranha floresta sumiu como se
fosse de açúcar e um rio atravessam por ela, as estrelas voltaram a brilhar no
céu, era uma noite sem nuvens onde podia enxergar a luz de cada estrela no céu.
Algo suspirou em meu ouvido e uma voz sufocada falava:
—Rodrigo, vo-cê me salvou. Prometa-me
que sempre será assim, corajoso e guerreiro, meu guerreiro. N-não se
pre-preocupe comigo es-estarei bem.
Os lábios dela encostaram
rapidamente na minha boca, havia gosto de sangue. Ela se afastou e voltou a
falar em meu ouvido:
—Sem-sempre te amei.
Novamente silêncio.
Acordei numa cama fina e um forte
cheiro de hospital entupiu minhas narinas, estava no pronto-socorro de meu município,
meu corpo todo estava doendo principalmente em dois lugares no tórax, onde a
bala tinha me acertado e no rosto sendo que eu não me lembrava de nada
acertando meu rosto. Um grito de exclamação e logo fui acolhido por dois braços
gentis:
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