O que meus antigos relacionamentos me mostraram que as vezes é muito difícil se relacionar com alguém que gostamos e também é solitário não poder conversar com alguém que você gosta, não poder se sentir amado e amar. Tive um relacionamento duradouro que se estendeu mais por teimosia do que amor, mas se fosse para descrever éramos muitos compatíveis com o outro, o problema foi nossas ideologias, nossa própria rotina e acima de tudo nossas brigas que acabaram levando ao caminho de ficar só.
Se fosse para fazer uma analogia eu diria que no começo eu tinha encontrado uma pessoa que iria trilhar o caminho comigo, forte, inteligente e com um senso de humor e dever que me motivava a crescer e sempre melhorar, mas nem tudo são um campo de flores. Nos desgastamos profundamente, ela pelos problemas internos de sua mente e eu por que já não sabia mais como agir, costumava em pensar que nós éramos dois guerreiros armados e preparados contra uma horda de monstros que queriam nos derrubar, queriam nos fazer sofrer. Mas nunca soube que no primeiro problema a armadura dela era de vidro, se quebrou tão fácil quanto um dente-de-leão arrancado em um sopro.
Não estou me enaltecendo, mas senti que era o meu dever cuidar dela, lutei e lutei contra os monstros enquanto colocava ela nos meus braços e secava suas lágrimas, fazia de tudo para animá-la, talvez o meu mal tenha sido isso. A pressão cresceu era hora de buscar uma profissão em um mundo que não está preparado para dar uma oportunidade, luta e mais luta, nessa hora senti que estava na clareira rodeado de monstros e minha parceira estava entre eles, mudada, desconfigurada quase irreconhecível, seus olhos vertiam lágrimas negras e de sua boca escorria um ácido que eu não podia desviar, aceitei aquilo, fiquei louco e não sabia dizer se o céu era o chão ou vice e versa. Meu mundo roía.
Mesmo assim eu tinha um objetivo, uma casa. Uma casa para mim e para minha parceira, uma casa que apesar de sair todos os dias para caçar, para arranjar suprimentos, sabia que seria nossa fortaleza, sabia que seria nosso refúgio. Tinha esse sonho. Mas aquele ser desconfigurado me enganou se tornando mais uma vez minha parceira, a pessoa que amo, foi um breve deslumbre, o suficiente para eu dobrar os meus esforços de aceitar todo aquele ataque, de buscar com mais força nosso refúgio. Aceitei muita coisa vindo dela até que não consegui mais tive que me afastar para ser tratado, eu estaria condenado se continuasse com aquela rotina de sofrimento eterno que ela tinha me posto. Vi nossa casa ser arremessada para longe, mas ainda si visível.
Voltei para junto dela e assim como minha parceira se transformou naquele ser, de repente ela se transformara de volta na pessoa que me apaixonei, comecei a mostrar como estava melhor, tinha conseguido um trabalho, mostrava como estava mais culto, mais forte depois daquela recuperação e me esforcei demais. Ela viu no meu esforço uma forma de eu humilha-la, de dizer que todo o sofrimento que ela passara não era nada. Nunca tive essa impressão, queria mostrar para ela que eu tinha mudado que poderia segurar ela enquanto ela se esforçava a sair daquele buraco onde ela estava, tentei de todas as formas ajudá-la, aceitá-la e dá força para ela.
Nossa casa ficou mais perto, mas ao mesmo tempo eu comecei a ver meus fundos serem sugados pela guerra, por puro acidente, e nesse momento ela voltou a ser aquele ser medonho,me alfinetava sobre tudo, sobre meus gostos, sobre os meus sonhos, sobre as coisas que queria fazer, sobre as coisas que estava fazendo pela gente.
Foi torturante isso, ela não me atacava direto, fazia pequenos ataques, colocava fogo na casa, dizia que algo vinha pela esquerda e me acertavam da direita, colocava pedras no meu sapato, pisava nos meus calos quando estava em batalha. Cheguei a me afastar dos meus amigos para ela dizer você precisa ter amigos, cadê eles quando você luta? Aos poucos fui me jogando nesse poço de auto piedade chegando a pensar que talvez eu merecia aquilo tudo. Nossas conversas foram se enchendo de tabus e receitas que não poderia falar, as coisas que eu poderia dizer era: NADA ou besteira totalmente inofensiva.
Queria uma parceira e não aquela muralha que só me fazia ir de em frente aos monstros totalmente despreparado e sem convicção. Sim por amor eu tinha perdido minha convicção e até mesmo minha motivação. Só desejava um dia tranquilo e nada mais, um dia se que precisasse empunhar minha espada contra todos aqueles monstros. Nunca me senti tão só em um relacionamento a dois.
Mas tudo tem que chegar no fim, já é doloroso ouvir Eu Não Te Amo Mais, mas pode se dizer que estava me acostumando aquela dor, já não me importava com minha saúde, se viveria ou morreria, aceitei em viver um dia de cada vez. Por fim, cansei, ela cansou e em um momento tudo se desfez.
Não apertamos a mão agradecendo aqueles anos todos, simplesmente um se virou para cada canto e fomos embora. Lutei desesperadamente e vi minha casa, minha família que seria construída ser esmagada pela magia dela e estranhamente não liguei mais.
Eu disse Adeus.
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